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Sem canções e animais felizes no novo 'Mogli'

Sem canções ou animais felizes, novo 'Mogli' não é 'filme pipoca'

Data: 13/12/2018

Por que há um novo "Mogli" pouco mais de dois anos depois do lançamento do live action da Disney? A dúvida intrigou muita gente após a estreia de "Mogli: Entre dois mundos", na última sexta-feira (7). A versão mais recente da história, dirigida por Andy Serkis, precisou cruzar uma selva escura em uma saga de cinco anos antes de chegar à Netflix.  "Quando comecei o projeto, não havia uma versão anterior", lembrou o cineasta, durante sua passagem pelo Brasil para promover o filme na Comic Con Experience, em São Paulo. Ele garantiu: "Não tremi na base [com o anúncio do live action de 2016]. Sabia que o filme da Disney seria uma reprodução da animação." Ele se refere ao desenho "Mogli - O menino lobo", de 1967, usado como inspiração para o filme de mesmo nome. A produção da Disney arrecadou US$ 966 milhões no mundo todo com uma aventura musical capaz de prender a atenção até das crianças mais bagunceiras.

Mas Serkis queria um tom bem diferente. Seu material de origem é "O livro da selva", de Rudyard Kipling, publicado originalmente em 1894. "É a jornada de um menino que é um estranho e está em uma espécie de rito de passagem em dois mundos, o dos humanos e o dos animais" explicou o diretor, em entrevista ao G1. Ele acrescentou: "O livro é mais obscuro e o roteiro reflete esse material. Por isso é uma história mais sombria. Não há canções ou animais felizes. As travessuras dos animais são meio que secundárias." Às vezes ele parece alfinetar a produção concorrente. Diz que seu filme tem uma "sensibilidade" mais próxima de produções como a vencedora do Oscar "As aventuras de Pi" (2012) do que de blockbusters americanos.

Por causa disso, costuma contar que sentiu certo alívio após a compra dos direitos de distribuição pela Netflix, em julho deste ano. Antes, o projeto era tocado pela Warner Bros.

A negociação significou uma mudança radical na estratégia de lançamento. "Entre dois mundos" estreou direto na plataforma de streaming, sem a pressão das bilheterias. "Parece ser um filme com apelo mais global. E, considerando isso, [com o lançamento na internet] você não precisa tentar encaixá-lo nos moldes de um filme pipoca para os cinemas. De certa forma, eu acho que ele chegou ao público para o qual foi feito."

Elenco de superprodução

O novo "Mogli" pode até não ser um "filme pipoca", mas tem elenco de superprodução. Além do próprio Serkis, considerado mestre da captura digital de movimento em Hollywood, Christian Bale, Cate Blanchett, Benedict Cumberbatch e Naomie Harris dão vida aos animais da selva. Ainda assim, o mais elogiado pela crítica tem sido Rohan Chand, garoto que interpreta o protagonista. Serkis esperava uma longa busca para encontrar seu Mogli, mas topou com o ator mirim de filmes como "Jumanji: Bem-vindo à selva" já no terceiro teste. Os dois se conheceram em uma conversa por videoconferência. Na época, Rohan tinha 10 anos.  "Ele era tão dedicado. Trabalhou muito fisicamente: estudou os lobos e aprendeu a correr como eles muito rápido. Ele realmente se tornou aquele garoto", elogiou o cineasta. Em uma trama pouco colorida, que Serkis define como "um drama com animais", o desempenho do menino pode ser um atrativo para o público infantil. O diretor está confiante de que fez um filme "para a família". "Há alguma escuridão, mas nada que seja excessivamente agressivo ou gratuito. É uma história muito honesta."

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