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A comida orgânica é realmente melhor?

A comida orgânica é realmente melhor?

Data: 28/02/2019

"Biológica", "orgânica" e "ecológica" são alegações de marketing para atrair o consumidor. A comida assim classificada não teriam o uso de pesticidas e fertilizantes sintéticos. Todavia, não está claro que essas práticas sempre nos deem benefícios. Esse tipo de comida é sempre mais cara. A pergunta é: deveríamos comprá-la? Depende do que buscamos. Se depender do quesito saúde, a resposta é não. Segundo as mais recentes pesquisas independentes, a comida orgânica não é mais sadia e nem mais segura que a comida convencional. Tampouco tem gosto superior à comida padronizada. Se é por causa do meio ambiente, não há uma resposta clara. O selo "orgânico" pressupõe que os vegetais e animais que comemos, teriam maior contribuição para o planeta. Isso não está claro. 

Observem bem, não há comida orgânica sem pesticidas ou fertilizantes. No mínimo, levam esterco- fezes ou vômitos de animais - para o cultivo das plantas. Também utilizam enxofre e cobre para combater certas pragas. As práticas orgânicas devem usar produtos e métodos não químicos para combater pestes e pragas. Também devem usar rotações de cultivos e a utilização de certas cepas de plantas e animais que não causariam danos ao meio ambiente. Ironicamente não utilizam as variedades transgênicas, que foram desenvolvidas exatamente para combater pragas e pestes e assim, deixar de usar pesticidas. 

Até o momento, não há uma só evidência científica de que a comida orgânica produza algum efeito em nosso organismo. Não afeta nossa saúde. Um largo estudo de 2014, publicado no British Journal of Nutrition, teve como resultado que a comida orgânica teria mais antioxidantes e menos contaminantes como, por exemplo, o metal cádmio e pesticidas. Todavia, esse estudo encontrou níveis inferiores de proteínas. Outras pesquisas mostraram que as comidas orgânicas tem mais omega-3 e fósforo, mas essas quantidades maiores são quase nulas para nossa saúde. E mais, também afirmam que qualquer alimentação adequada com comida convencional é inteiramente igual a uma devotada aos orgânicos. No final, a orgânica só é mais cara.

A prática orgânica não utiliza as radiações ionizantes, comuns nas comidas convencionais, para matar bactérias em alimentos. Essas radiações são muito úteis especialmente em alimentos difíceis de lavar, como as especiarias ou em hospitais, na alimentação de pacientes imunodeprimidos. Não a toa, o diretor da Agência Europeia de Alimentação afirmou que a comida ecológica não é mais segura nem menos segura. Mas também há muitas associações da comida orgânica com a salmonelose - infecção acusada pela bactéria salmonela, comumente causada pela ingestão de alimentos contaminados.

Para o meio ambiente, é melhor a comida orgânica?

Essa é a narrativa que mais encontramos. A comida orgânica a todas luzes teria de ser melhor para o meio ambiente. E há muito, sentido nesse discurso. Com as rotações dos plantios, cuidam mais da qualidade do solo, com isso,se fomenta a biodiversidade. Também é verdade que há economia de energia na produção dos orgânicos uma vez que não usam a eletricidade nas fábricas. Mas há um grande problema, a produção de alimentos ecológicos é menos eficiente. A pesquisa de 2012, publicada na revista científica Nature, põe números nessa diferença de eficiência. A orgânica é 25% menos eficiente que a convencional. A pior eficiência está na produção de verduras ecológicas. A produção de legumes é um pouco menos eficiente. O resultado final é que se optarmos pelas comidas orgânicas, teremos usar mais terras, fato danoso para a biodiversidade do planeta.

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