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Ampliar rede de assistência a dependentes químicos

Ampliar rede de assistência a dependentes químicos é principal reivindicação em audiência


A rede de assistência para moradores de rua e dependentes químicos em Campo Grande é insuficiente para atender a demanda. Por isso, em Audiência Pública nesta sexta-feira (15), na Câmara Municipal, foram debatidos caminhos para ampliar as alternativas de auxílio, pensando em políticas de saúde, assistência e, consequentemente, contemplando também os anseios na área da segurança pública. O debate foi proposto pela Comissão Permanente de Saúde da Casa de Leis.

O vereador Dr. Lívio, presidente da Comissão e proponente da audiência, ressaltou a importância de ouvir todos os lados na discussão, trazendo a seguinte reflexão “Como cidadão, o que estou fazendo para contribuir para essa problemática? O que a Comissão de Saúde e Câmara podem fazer em relação a isso?”, questionou. 

Por isso, a pluralidade de visões marcou o debate, contando com representantes das comunidades terapêuticas que atendem dependentes químicos, relatos de pessoas que conseguiram deixar o vício, médicos psiquiatra, coordenadores de projetos, a exemplo do Consultório de Rua, representantes das secretarias de Assistência Social e Direitos Humanos, Defensoria Pública, Ordem dos Advogados do Brasil de Mato Grosso do Sul, Câmara de Dirigentes Lojistas e Conselho de Segurança do Centro.  

Foram feitos encaminhamentos para propor Censo para levantar qual é a população de rua, instalação de banheiros químicos no Centro, instalar Caps 4 nos locais que podem ser caracterizados como cracolândia e discutir a possibilidade de criar secretaria voltada para políticas antidrogas. 

“Temos intenção de propor caminhos para ampliar essa rede de assistência. Hoje as comunidades terapêuticas fazem esse acolhimento a dependentes químicos, mas o que temos hoje não comporta a necessidade e demanda da nossa cidade”, afirmou o vereador Dr. Lívio.  

O vereador Dr. Wilson Sami apresentou, durante a audiência, proposta para criação de secretaria ou superintendência municipal antidrogas no Município. Ele, que também é médico, detalhou que atua há 12 anos ajudando dependentes químicos, em parceria com algumas comunidades terapêuticas. A ideia contempla fortalecer essas comunidades, que hoje trabalham basicamente com doações, dispor de laboratórios de análises clínicas para exames rápidos. Propõe ainda a instalação de brigada de resgate para levar essa pessoa a hospital de referência para desintoxicação. “O objetivo é acolher no amor e não na repressão”, disse. Depois, esse paciente receberia a hidratação e equilíbrio emocional. Posteriormente, a pessoa iria para a comunidade. 

Ele mencionou ainda a importância de campanhas permanentes de prevenção . “Vamos bater na tecla da prevenção, com família e escola”, disse o vereador, exemplificando a importância de capacitar os professores para falar desse tema nas escolas.

O médico psiquiatra Marcos Estevão Moura, do Conselho Estadual de Políticas Públicas sobre Drogas do Estado, também reforçou essa necessidade de tratamento adequado, comparando a necessidade de leitos para UTI com a necessidade que também deveria ocorrer com leitos para desintoxicação dos pacientes, algo que pode levar até dois meses dependendo do paciente. Somente depois, ele iria para a comunidade terapêutica e depois para os ambulatórios, por meio dos Caps. “Precisamos de tratamento sério para que essa pessoa volte a ter a dignidade que merece”, afirmou.  

Pela Coordenadoria de Proteção à População de Rua e Políticas sobre Drogas, da Subsecretaria de Direitos Humanos da Capital, Barbara Cristina Fernandes Rodrigues falou de programas integrados de políticas públicas que resultou na criação de 100 vagas para atender usuários de drogas. “A política pública tem sido efetivada, ainda é insuficiente, mas tem funcionado para vários casos”, disse. Hoje são cinco comunidades empossadas e, por meio da parceria, R$ 1,2 milhão são repassados, divididos em parcelas, para acolhimento e trabalho terapêutico. 

O vereador Dr. Cury também reforçou a importância da prevenção, falando do papel da família. “Há uma diferença na relação dos pais com os filhos. O morador de rua iniciou-se na educação sem valores”, disse. Ele considera ainda que os professores podem ser preparados para abordar o assunto desde cedo. 

A participação na audiência pelas redes sociais (a transmissão foi feita pelo Facebook da Câmara) foi levada ao debate pela vereadora Enfermeira Cida Amaral, mencionando a sugestão de ressocialização da pessoa em situação de rua e o cadastramento em programas sociais. “Pactuo ainda com a importância da prevenção e educação”, disse. Ela pretende ainda propor seminário para debater a saúde mental. 

O vereador Valdir Gomes fez cobrança para ações mais efetivas dos gestores. “Acredito que funcionários da prefeitura fazem milagre porque falta estrutura”, citou. Cobrou ainda ações do Governo nas políticas antidrogas. 

Segurança

O debate abordou ainda a questão da segurança e a polêmica sobre a internação compulsória. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Adelaido Vila, pediu desculpas as pessoas que se sentiram ofendidas com o abaixo assinado e a campanha Menos Andarilho, Mais Segurança, que resultou em críticas pela abordagem.   

“Nossa pretensão é dar visibilidade às pessoas invisíveis em Campo Grande. Quando nos comunicamos daquela forma, acabamos provocando indignação de estudiosos e pesquisadores. Foi necessário esse instrumento para discutirmos o problema. Queremos combater, primeiramente, a omissão da nossa população, dos poderes constituídos, diante de problema tão grave”, afirmou Vila, esclarecendo que a entidade não defende a internação compulsória, mas cobra mais atenção para que se assuma o compromisso social. 

O representante do Conselho de Segurança do Centro, Eliezer Carvalho, também reclamou da falta de providências, citando que são 300 pessoas abandonadas na região. “Sem apoio, nós fomos na ferida, visitar moradores. É problema meu, seu de todos. Internamos 10 pessoas, retorno a cidade, pão solidário

A defensora pública Eni Diniz defendeu que a temática precisa ser tratada como questão de saúde e não de segurança pública. “Não adianta tirar essas pessoas da rua e não ter onde colocá-las”, reclamou, pois as 100 vagas de acolhimentos são insuficientes. Ainda ela cobrou a reforma do Cetremi, que ainda não saiu do papel, mesmo com Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) formalizado com a prefeitura e Ministério Público.  Ela reforçou a necessidade ainda de lei onde se destine parte das vagas de trabalho para que a assistência social encaminhe essas pessoas. 

Representantes da Polícia Militar e da Polícia Civil também participaram da audiência, detalhando as operações feitas na região central da cidade e em pontos considerados mais críticos. Ainda, há o trabalho em ações preventivas, a exemplo do Programa Educacional de Resistência às Drogas e Violência (Proerd), com palestras nas escolas. 

 

Milena Crestani 

Assessoria de Imprensa da Câmara Municipal 

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